Coordenador de curso da FAC-FEA fala sobre PIB regional em matéria do jornal O Liberal

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A região de Araçatuba mais do que quadruplicou a soma de todas as suas riquezas em 14 anos. A constatação está em estudo comparativo feito pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) sobre o PIB (Produto Interno Bruto) nos municípios paulistas entre 2002 e 2016. Se, no ano usado como base de comparação, os 43 municípios totalizavam R$ 5,8 bilhões, a estatística mais recente mostra um volume de R$ 25,7 bilhões.

No entanto, a participação regional na economia paulista, praticamente, manteve-se inalterada. Em 2002, representava 1,1%; há três anos, ficara em 1,3%. De acordo com a pesquisa, o PIB estadual já ultrapassa a casa dos R$ 2 bilhões, consequência de um crescimento superior a 292,7% em pouco mais de uma década.

Conforme o estudo, os municípios com maiores participações no PIB regional ainda são Araçatuba, Birigui e Andradina, respondendo por 26,9%, 12,7% e 12,1%, respectivamente, de tudo o que é produzido no território.

No entanto, Brejo Alegre – um dos menores municípios da região, com pouco mais de 2,5 mil habitantes – foi o que registrou maior crescimento avançado, ao elevar sua participação de 0,2% para 3%. Motivado pela indústria sucroalcooleira, em 2016, Brejo Alegre conquistou ainda outra posição de destaque no âmbito regional: o segundo maior PIB per capita do Estado; em 2002, sua posição era a 457ª nesse quesito. O crescimento econômico da cidade se observa na mudança do perfil de sua atividade. Enquanto diminuiu sua participação no valor adicionado da agropecuária, de 35,6% para 1,6%, em relação à indústria, houve o inverso: aumentou de 7,1% 86,6%.

AVALIAÇÃO
Para o economista e professor universitário Marco Aurélio Barbosa, os dados evidenciam crescimento econômico das duas maiores cidades da região: Araçatuba e Birigui. No intervalo analisado pela Seade, a maior cidade da região e o polo calçadista infantil mais que triplicaram a soma de suas riquezas. Araçatuba estava com R$ 1,5 bilhão e, em 2016, já aparecia com R$ 6,9 bilhões. Birigui, por sua vez, saltou de R$ 699,2 milhões para R$ 3,2 bilhões.

“Do ponto de vista da estrutura produtiva, notam-se relevantes diferenças entre as cidades e alterações ao longo do tempo. No caso de Araçatuba, o setor de serviços representava, em 2016, 70% do PIB, seguido pelo segmento industrial com 20,3% e o agropecuário, 1,5%”, avalia Barbosa, que coordena o Observatório de Economia Regional, da FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba). “A principal mudança foi na participação do setor industrial no valor adicionado local, que aumentou de 14,8% para 20,3%.”

No caso de Birigui, destaca o estudioso, a indústria reduziu sua participação na estrutura produtiva, de 32,1% em 2002 para 26,2% em 2016. “Por outro lado, notou-se o crescimento do setor de comércio e serviços que ampliaram de 55% para 63,1% sua participação no PIB de Birigui”, destaca Barbosa.

Capital, Osasco e Campinas: as maiores participações
O estudo da Fundação Seade mostra ainda que a cidade de São Paulo permanece no topo da lista dos 20 municípios com maior contribuição no Produto Interno Bruto em 2016. Osasco registrou o avanço mais acentuado, passando da 6ª para a 2ª colocação (de 2,4% para 3,7%). Os maiores recuos, depois da capital, foram observados em São Bernardo do Campo, que passou de 2º para 6º lugar (de 3,0% para 2,1%), e São José dos Campos, que regrediu de 4º para 8º (de 2,6% para 1,8%). Campinas permaneceu estável em terceiro lugar e Jundiaí cresceu na sua participação, progredindo da 10ª para a 7ª posição. Diadema saiu do ranking, cedendo lugar para Mogi das Cruzes, que passou a ocupar o 17º lugar.

Em relação ao PIB per capita, que teve Brejo Alegre como destaque, entre 2002 e 2016, Paulínia manteve o 1º lugar no ranking dos 20 principais municípios. Outro destaque foi o avanço de Gavião Peixoto, que passou da 13ª para a 6ª posição, e Louveira, que avançou da 7ª para a 4ª.

O PIB dos municípios paulistas é calculado pela Fundação Seade desde 1998, no âmbito de um projeto nacional coordenado pelo IBGE. Como a mesma metodologia é adotada em todo o país, é possível comparar o PIB dos municípios paulistas com o dos demais Estados. Com informações da Fundação Seade.


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